quinta-feira, 11 de agosto de 2011

NA ILHA DA FARSOLÂNDIA

NA ILHA DA FARSOLÂNDIA

Nasci na Terra da farsolândia, aqui cresci e me fiz homem. Despertei para a vida política e comecei a olhar em volta com um espírito aberto, mas crítico. Nesta Terra onde todos pensam no que dizem, mas não dizem o que pensam, quedei-me em reflexões sobre este estranho modo de ser e de agir. Senti que faltava autenticidade às pessoas, que havia um mundo de enganos entre o que se dizia e o que se fazia. Deparei-me com paradoxos em todas as esquinas e o maior de todos é que na farsolândia tínhamos um chefe que era idolatrado por muitos na razão inversa das suas qualidades. Quanto pior se portava o dito, mais farsovotos tinha, quanto mais prejudicava a farsolândia mais poder acumulava, quanto mais dívidas criava para deixar às futuras gerações de farsolandenses, mais esses jovens o idolatravam, quanto mais ele atacava a democracia mais farsodemocratas o rodeavam, quando mais ele excluía e perseguia mais farsomimos recebia, quanto mais atacava a comunicação social mais farsojornalistas ficavam do seu lado, quanto mais ele desconsiderava a igreja com os seus actos e atitudes, mais farsocrentes a ele se juntavam, e mesmo quando, dentro do seu partido, perseguia e afastava dirigentes, mais farsoapoiantes a ele juravam fidelidade eterna.

O grande chefe, mais conhecido por farsobobo, humilhava os farsolandeses com as suas atitudes de má criação e premeditadas asneiras que fazia para os ecrãs da TV. Na grande festa do partido o farsobobo fazia manguitos, deitava a língua de fora e até tentava imitar um falo, recolhendo o dedo indicador e o anelar e mantendo o dedo médio na sua posição erecta enquanto apontava para as câmaras de TV. Os farsomilitantes e farsodirigentes do seu partido aplaudiam em transe. Nisto, uma criança de tenra idade, no colo de sua mãe, apontava para o farsobobo e diz: é um louco, é um louco, mamã.

Nesse momento acordei, com gotas de suor a caírem-me pela face abaixo e assustado. Tudo não passou de um terrível pesadelo, mas ainda ressoa no meu quarto escuro a voz da criança: é um louco, mamã; é um louco, mamã; é um louco, mamã.

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