sexta-feira, 8 de março de 2013

OS MENINOS DO CARRO PRETO



 

Acostumados ao biberão da abundância na casa do papá nunca lhes faltou nada à mesa, nem as calças e sapatilhas da moda, nem as férias chiques. Estes meninos chegaram ao Governo Regional da nossa terra e também às ...Câmaras Municipais já de fato armani vestido e, no carro preto, que de tenra idade habituados estavam, recebendo o poder por herança e trazendo, na bagagem, o novo léxico das chamadas engenharias financeiras. Secretários e Diretores Regionais, Presidentes de Câmara, Conselheiros Técnicos, Assessores, já vieram encartados nas lógicas das marinas, das piscinas, das parcerias público-privadas, e tudo o mais... Para esta gente, o dinheiro nunca foi um problema. Em casa, o papá pagava as contas, no Governo Regional/Câmaras Municipais, paga o povo. E foi assim e é assim que vivem. Nunca tiveram que gerir um magro ordenado, nunca tiraram o curso de gestão financeira doméstica, porque tudo sempre foi fácil, sempre tudo tiveram dado e arregaçado. Estes rapazes (e raparigas) do biberão estavam em todo o lado, no público e no privado, trabalhavam de manhã para o governo e, de tarde, trabalhavam para as empresas. De manhã, funcionários públicos; de tarde, parceiros da banca. Não faltaram estudos de viabilidade económica e financeira para as Sociedades de Desenvolvimento que, juravam, não iria custar um tostão ao bolso do contribuinte. Esses mesmos estudos diziam que as Parcerias Público-Privadas (Vialitoral, Viaexpresso, Viamadeira e todas as outras) eram excelentes negócios para a Madeira.
Mas o que é realmente deveras engraçado, é que, hoje, os rapazes e raparigas do biberão já não assumem a paternidade de nada disto. Afinal, somente recebiam ordens, não eram eles que propunham. Na verdade, as ideias provinham de outro rapaz do biberão, que não eles. E assim vão enxotando as culpas. Só quem não se livra da irresponsabilidade da divida é quem a paga – os filhos do povo.
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