quinta-feira, 6 de setembro de 2012

EMIGRANTES QUEREM AJUDAR A MADEIRA




O Presidente do PS-M efectuou hoje um balanço à recente visita efectuada à África do Sul. Em conferência de imprensa realizada no Funchal e acompanhado pelo Vice-presidente e Líder Parlamentar do PS-M, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, que o acompanhou na visita à comunidade madeirense radicada naquele país, Victor Freitas afirmou que o PS-M pretende que, na próxima Revisão Constitucional, seja consagrada a existência de círculos de emigração para as eleições legislativas regionais, no sentido de contribuir para uma maior aproximação entre a Região e as suas diversas comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo.
Mas a conferência de imprensa começou com Victor Freitas a enumerar os contactos e reuniões que o PS-M manteve, na África do Sul, com os emigrantes, salientando, tal e qual já afirmou anteriormente, que a Madeira e o Porto Santo não se podem cingir ao espaço insular atlântico mas sim alarga-se «aonde estão» os madeirenses e porto-santenses, sendo que os nossos emigrantes estão «pelos quatro cantos do mundo». Só no caso da África do Sul, salientou o Presidente do PS-M, existem quase tantos madeirenses e porto-santenses quantos a população da Região, criticando ainda a concepção limitada do «Governo Regional» que se esqueceu desta dimensão mundial dos madeirenses e porto-santenses tendo, inclusivamente, abandonado as comunidades.
De seguida Victor Freitas abordou o problema das ligações aéreas da TAP entre Portugal e a África do Sul, situação que está a prejudicar não só os emigrantes como a própria Região. «Em primeiro lugar, há cerca de um ano deixaram de voar directamente para a África do sul», uma ligação, relembrou, que «existia há cinco décadas», contribuindo para as milhares de viagens que faziam os emigrantes à Região, quer de férias e «contactos com os familiares», quer em «negócios», havendo, neste momento, uma clara «redução» no número de viagens, dado que a maioria dos emigrantes oriundos da Região são já idosos e não estão dispostos para viagens mais longas e com mais escalas, isto porque «a TAP virou as costas aos emigrantes».
Neste sentido, Victor Freitas entende ser «urgente» que a TAP cumpra as suas obrigações de «companhia de bandeira» e, apesar de neste momento estar já aprovada em Conselho de Ministros a «privatização» da companhia, o PS-M vai exigir, «ao governo português» que sejam assegurados, «no caderno de encargos» da privatização, «os interesses dos nossos emigrantes da África do Sul».
De seguida, o Presidente do PS-M referiu-se à importância que, durante as décadas de 60, 70, 80 e 90, os emigrantes tiveram para a economia e para as famílias da Região, mais concretamente com os muitos «milhões», em divisas, enviados para a Madeira e Porto Santo, sendo «a alavanca do desenvolvimento regional», através dos investimentos que promoveram. Por esta razão, o PS-M não compreende o abandono a que Alberto João Jardim condenou os emigrantes na África do Sul, isto porque a última vez em que esteve naquele país foi em 1999. «Passaram-se 13 anos desde a última vez em que o Presidente do Governo Regional» esteve com a comunidade madeirense e porto-santense na África do Sul. No entender do PS-M, o Presidente do Governo Regional usou os emigrantes «enquanto foram sustentáculo da nossa economia», só que, a partir do momento em que a Região passa a endividar-se com recurso aos empréstimos bancários, Alberto João Jardim esqueceu-se deles. Portanto, concluiu, «longe da vista, longe do coração», que é o que os emigrantes pensam e «sentem», afirmando mesmo que o Presidente do Governo Regional «não tem os madeirenses e porto-santenses que vivem fora da Região no coração».
Face a isto tudo, mais o que está a acontecer presentemente, na Região, em que se vive «um dos piores momentos da sua História», com os madeirenses e porto-santenses, «todos os dias», novamente, a emigrar massivamente, o PS-M quer que o Governo Regional reveja, «rapidamente», as suas políticas em relação aos emigrantes – «não pode continuar a existir este abandono por parte do Governo Regional em relação aos nossos emigrantes», até porque, adiantou Victor Freitas, no decurso dos contactos e reuniões que o PS-M manteve com a comunidade madeirense na África do Sul, nomeadamente com «empresários», existe «uma desconfiança muito grande em relação ao Governo Regional do PSD». Esta desconfiança, esclareceu o Presidente do PS-M, deve-se às «notícias» sobre o «buraco das contas públicas e a ocultação da dívida e a ideia, verdadeira e real, de que o Governo Regional do PSD não é uma pessoa de bem», o que faz com que os emigrantes temam fazer investimentos na Região.
Por outro lado, existe ainda, na comunidade na África do Sul, o problema da banca portuguesa. Existe também desconfiança, já que existem «milhares e milhares de emigrantes que perderam fortunas devido ao aconselhamento bancário oriundo das instituições bancárias» na Região, «isto é uma realidade que ninguém consegue esconder, sublinhou o Presidente do PS-M, contrapondo que o PS defende que a Região «tem de relançar a confiança dos emigrantes», o que só acontece com «visitas com atitudes proactivas e estando junto dos empresários emigrantes». Por conseguinte o PS-M defende que seja criado «um centro de captação de investimento, para ajudar na iniciativa privada da Região», agilizando «todos os processos a quem quer investir na RAM», dando também aos emigrantes «acesso aos fundos comunitários» disponíveis, num «processo o mais transparente possível», sem as «vicissitudes do passado». A Região precisa «duma diplomacia económica», sintetizou Victor Freitas, «direcionada, em primeiro lugar, para os nossos emigrantes. Temos emigrantes com grande poder económico e que fizeram sucesso, nos quatro cantos do mundo, e que têm, hoje, disponibilidade económica que hoje não existe na Região. E na RAM, se houver transparência, existem oportunidades de negócios para os emigrantes», até porque, «no diálogo» mantido «com os emigrantes», sentiu-se que são, «muitas vezes, mais portugueses do que próprios portugueses que vivem cá», estando, no caso concreto da Região, disponíveis para «ajudar», sentindo, contudo, «que, da parte do Governo Regional, não existe abertura» para que isso aconteça.

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