segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

De fato e gravata com um galo debaixo do braço

Campanha eleitoral

Sai de casa e foi ao quintal da vizinha, andava por ali um galo, sem préstimo algum, a debicar pelo chão e, sem pedir licença, zás apanhei o galo. Um triste bicho, meio depenado, mas com um andar majestático e orgulhoso, parecia ignorar completamente o seu horrível aspecto. Para o que eu queria servia na perfeição!

As eleições estão à porta e a moda agora é dizer tudo o que nos vem à cabeça, não interessa o conteúdo, basta um galo debaixo do braço: é remédio garantido e votos na urna! Lá foi eu para a campanha.

A conversa com as pessoas não era sobre a situação económica e social e que medidas tínhamos para resolver os problemas, o tema da conversa era o homem e o galo. Lá de quando em vez lá ia ensaiando metáforas entre o aspecto terrível do bicho e a situação económica regional, mas não era necessário concretizar propostas para a resolução dos problemas.

Na baixa do Funchal foi um sucesso. De fato e gravata, de galo debaixo do braço, era um corrupio de gente à minha volta questionando-me o que andava por ali a fazer. Lá ia dizendo que era necessário substituir o galo da Quinta Vigia, que já estava velho e gasto, que já nem na sua capoeira mandava e estava a levar a nossa terra para o aviário, que é o mesmo que dizer para a desgraça. Falei das galinhas dos Portos, das galinhas da Vialitoral e Expesso, das galinhas das Sociedades de Desenvolvimento que andavam a comer o milho todo, deixando toda a gente na miséria. Falei da roubalheira, fiz um discurso anti-partidos e anti-políticos, falei do desemprego, da pobreza e da emigração que já levou a que milhares de madeirenses voassem daqui para fora.

Nas vésperas das eleições arranjei um carro-capoeira para a campanha cheio de galinhas, batizei-as com nomes de Secretário Regionais, coloquei o galo lá dentro e ali prontamente formei governo.

Anunciei o meu governo ao povo, a galinha amarela ficava com o turismo, pois a cor era sugestiva à crise, a galinha pelada ficava com as finanças, para demonstrar como andavam as finanças publicas e os bolsos dos madeirenses, a galinha preta ficava com os recursos naturais porque era especialista em aldrabar estatísticas e transformar a pobreza da nossa agricultura em riqueza estatística, meti um pato no governo para gerir o desemprego, pois ele grasnava relatórios e conseguia ver o desemprego às avessas e dava-se bem com a malta da comunicação social, na educação meti uma galinha surda aos protestos dos alunos, dos pais e do corpo docente, para as obras públicas meti um galo-palheiro, miudinho como ele era e avesso aos problemas ambientais, era sucesso garantido na betonização da ilha e nas relações com os empreiteiros, arranjei um cachorro e amarrei-o junto à capoeira com as funções das relações externas, que tinha por objectivo ladrar contra Lisboa.

A mensagem passou! Agora falta saber o que o povo diz, se quer este governo ao não. Eu acho que quer!

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