quinta-feira, 29 de novembro de 2012

CDS-PP fora da coligação para a Câmara do Funchal


PCP deve ser a única dúvida entre os partidos do 'Pacto pela democracia'


O CDS-PP não deverá dar uma resposta positiva ao convite do líder do PS-M, Victor Freitas, para uma coligação, com todos os partidos da oposição, para concorrer à Câmara Municipal do Funchal nas eleições autárquicas do próximo ano. Uma coligação alargada que foi divulgada, ontem, pelo DIÁRIO.
José Manuel Rodrigues recorda que o último congresso do CDS-PP definiu a estratégia para as 'autárquicas' que passa por concorrer, com listas próprias, em todas as freguesias e concelhos da Região. As excepções serão os casos de municípios ou freguesias onde se apresentem listas de cidadãos independentes "de reconhecido valor" e que o CDS-PP poderá apoiar. O caso de Santa Cruz é o mais óbvio, estando praticamente assumido que os democrata-cristãos irão apoiar o movimento 'Juntos pelo Povo', como já fizeram nas eleições anteriores.
No Funchal, José Manuel Rodrigues só admite alterar a intenção de apresentar uma candidatura própria se surgir uma lista independente, em moldes idênticos aos de Santa Cruz.
PCP só decide no próximo ano
O PCP não diz que não, mas não dá uma resposta imediata. Edgar Silva apenas ficou a conhecer a proposta do PS pelo DIÁRIO e lembra que, neste momento, o partido está envolvido noutras "batalhas políticas" para "defender a população" dos efeitos do plano de ajustamento económico e do Orçamento Regional para 2013.
Só em Janeiro é que o PCP deverá começar a preparar as eleições autárquicas. No entanto, promete "acompanhar com atenção" a proposta de Victor Freitas.
Os restantes partidos da oposição, que tal como o PS e o PCP integram o 'Pacto pela Democracia' - o CDS saiu deste acordo parlamentar - deverão dar uma resposta positiva ao líder socialista.
O PND, como recorda Gil Canha, defendeu sempre um "acordo alargado" nas eleições autárquicas para "derrubar o jardinismo". Uma posição semelhante à do PTP, de José Manuel Coelho, que por várias vezes desafiou os partidos, sobretudo de esquerda, a unir esforços.
Roberto Vieira deixa claro que qualquer decisão terá de passar pela comissão executiva, mas que a coligação é algo que o MPT sempre defendeu e para a qual manifestou abertura.
Na última convenção regional, em Janeiro deste ano, ficou decidido que o BE-Madeira irá "favorecer uma alternativa convergente para fazer frente ao PSD nas autarquias", pelo que Roberto Almada considera positiva a iniciativa do líder do PS.
A proposta terá de passar por uma consulta aos militantes e dirigentes, mas o BE deverá apoiar a coligação no Funchal.
Quanto ao PAN, as posições públicas também têm sido no sentido da unidade dos partidos da oposição.
Contas eleitorais: Juntos não desperdiçam votos
Uma coligação dos partidos da oposição tem um resultado imediato: não desperdiçam votos.
Embora o resultado eleitoral de uma coligação não seja a soma aritmética dos resultados dos partidos que a integram, é fácil concluir que o desperdício de votos seria muito menor.
Nas últimas eleições autárquicas, em Outubro de 2009, os partidos que poderão integrar a coligação - PS, PND, CDU, BE e MPT - somaram mais de 8.200 votos que não serviram para eleger qualquer vereador. No caso do BE (2.433 votos) e do MPT (1.166) não foi conseguida a representação na vereação. Para o PS-M, que teve um total de 7.584 votos, mais de 3.700 não serviram para nada. A CDU elegeu o último vereador com os seus 3.846 votos, mas o PND teve um 'excesso' de quase 900.
Se o CDS-PP participasse na coligação a soma dos 'desperdícios' aproveitados ultrapassava os 10 mil votos.
CDS fora pode ajudar
O objectivo de Victor Freitas ao propor a coligação é tentar ganhar o Funchal e para isso a recusa do CDS-PP em integrar a lista até pode ajudar.
Os democrata-cristãos disputam um eleitorado próximo do PSD-M, pelo que um bom resultado do partido de José Manuel Rodrigues não provocará um grande desgaste na coligação e poderá contribuir para retirar a maioria aos social-democratas.
Já uma candidatura própria do PCP terá um efeito diferente, criando uma alternativa à coligação que poderá ter efeitos eleitorais negativos.

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