terça-feira, 30 de março de 2010

PSD só viabiliza 'vice' do PS se o candidato for Serrão


Presidente da república deve ter intervindo na resolução do problema
Data: 30-03-2010 in Diário de Notícias da Madeira

Apesar do chumbo recente do nome de Jacinto Serrão para a vice-presidência da Assembleia Legislativa, o PSD garante que está disposto a dar os votos necessários para que o presidente do PS seja eleito para aquele cargo. O problema é que a bondade dos social-democratas é exclusivamente direccionada a Jacinto Serrão. Se o PS decidir apresentar outro candidato, a disponibilização de votos será reavaliada, na certeza de que se indicar Bernardo Martins só são disponibilizados os, até agora insuficientes, dez votos. Mas tudo indica que o PS vai mesmo voltar a apresentar o nome de Jacinto Serrão, contrariando o que o próprio havia afirmado categoricamente, que só era candidato uma vez. Ou era eleito à primeira ou não se tornava vice-presidente. Ao DIÁRIO, o líder do PS diz que a questão não se coloca no plano pessoal, nem mesmo na do PS. Garante Serrão que o seu partido "está disponível para colaborar numa solução para este problema, que é da Assembleia". Para tanto, basta que haja "um ganho do ponto de vista democrático". Os socialistas não querem "criar ruído", pretendem "resolver" o problema e, "no que depender do PS", vai mesmo ser resolvido, garante, a bem da "normalidade democrática". O problema que se coloca e sobre o qual Serrão não quer falar, é de cariz político. O presidente do PS tem falado na "legitimidade" que os novos órgãos do partido têm para mudar o candidato a vice-presidente da Assembleia. Essa legitimidade não é discutida, mas a alteração do nome é vista como uma cedência clara ao PSD, que sempre disse não aceitar Bernardo Martins. Há, inclusivamente no interior do PS, quem entenda que, manifestando-se o PSD disponível para dar mais votos, os socialistas deveriam reapresentar o nome do deputado de Machico. Apesar de continuar remetido ao silêncio, o DIÁRIO sabe que Bernardo Martins estaria disposto a se candidatar. Os socialistas que defendem que não deve haver cedência ao PSD, entendem que os social-democratas também têm todo o interesse em resolver a questão nesta altura, até por força no novo relacionamento que existe entre os governos Regional e da República, respectivamente suportados pelo PSD e pelo PS.Acham mesmo que Cavaco Silva terá tido uma intervenção que conduziu à disponibilização dos votos necessários à eleição de Serrão. Uma versão que encontra algum suporte em declarações do próprio Jacinto Serrão. O presidente do PS e recandidato quase garantido a 'vice' da mesa da Assembleia, diz-se esperançado na resolução do problema, no mesmo sentido em que se manifestou o Representante da República, no encontro mantido entre ambos, e como "provavelmente se terá manifestado o Presidente da República". À frase, Serrão não acrescenta esclarecimentos. Neste momento, da parte do PS, alegadamente, o assunto está entregue aos órgãos do partido.Braço-de-ferro dura há três anosO PS e o PSD mantêm um braço-de-ferro político há praticamente três anos, no que diz respeito à composição da Mesa da Assembleia. A oposição tem direito a indicar um dos três vice-presidentes, mas o mesmo tem de ser eleito pelos deputados, reunidos em plenário. O problema, para o PS, é que a eleição tem de ser pela maioria absoluta dos deputados em funções e não dos presentes. Bernardo Martins chegou a ganhar uma votação, por 23 contra 22 votos, não foi eleito, precisava de 24. A soma da oposição mais dez votos sempre garantidos pelo PSD dariam. Só que o MPT votou sempre contra. Com Serrão a aprovação estava prometida, mas alguém 'roeu a corda'.
Élvio Passos

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